História, fotos e fatos

DONA FRANCISCA, ASSIM COMEÇOU

O município de Dona Francisca está localizado na região central do Estado do Rio Grande do Sul, à margem direita do Rio Jacuí. Possui uma população estimada de 3.401 habitantes (fonte IBGE 2010), formada por descentes de alemães, italianos, afrodescendentes e de portugueses. Sua área territorial  é de 114,34 Km², está distante 270Km de Porto Alegre e 60 Km de Santa Maria. Limita-se ao Norte com Nova Palma, ao Sul com Restinga Seca, a Leste com Agudo, tendo o Rio Jacuí como ligação entre esses municípios. A Oeste limita-se com Faxinal do Soturno. Faz parte do Bioma Mata Atlântica.

O atual município de Dona Francisca é territorialmente a antiga Colônia de Santo Ângelo na parte banhada pelo Rio Jacuí, em sua margem direita, que foi criada em 1855 e instalada dois anos após. A Colônia Santo Ângelo era vinculada ao município de São João da Cachoeira (atual município de Cachoeira do Sul). Em virtude desse fato, no século XIX, seus primeiros imigrantes foram principalmente europeus de origem germânica. No entanto, sua história está ligada inicialmente a três homens, Cláudio José de Figueiredo (Primeiro proprietário, residente em Cachoeira do Sul que recebeu a gleba de terras de seus ancestrais portugueses, mas nunca tomou posse da mesma.), José Gomes Leal (Adquiriu as terras em 1850 e duas décadas mais tarde nela se instalou com uma casa de comércio, chamado “varejão”, que logo prosperou devido ao trânsito de pessoas entre a Colônia Santo Ângelo(Agudo), Silveira Martins e Geringonça(Novo Treviso)). Neste tempo a gleba de terras era conhecida por fazenda Santo Antônio. E por fim, Manuel José Gonçalves Mostardeiro (Adquiriu a propriedade por volta de 1800 em pagamento de dívidas contraídas por José Gomes Leal), comerciante de Porto Alegre, que aqui se estabeleceu em 1881, dando ao local o nome de fazenda São José, santo ao qual era devoto. Em 1882,  Mostardeiro solicitou que fosse feita a demarcação e o loteamento das terras, tendo por objetivo a efetiva colonização do território. A propriedade de quase três mil hectares ficou divida em 69 lotes coloniais, 31 chácaras e 164 lotes urbanos. O trabalho demarcatório foi feito pelo agrônomo Ernesto Merhing e foi concluído em 15 de abril de 1883. Sobre a fundação da Colônia, no Arquivo Histórico de Nova Palma encontra-se textualmente: “desde 15 de agosto de 1883, estava reservado o lote colonial n.º 7, da Fazenda Santo Antônio de Dona Francisca, a José Gomes Leal. É a data de fundação da Colônia”. Em 1882, foi criada a primeira escola da fazenda tendo como professora a filha Anália. O marco inicial do traçado das linhas para o loteamento teve como marco peão o portão central do cemitério municipal e para dar início aos trabalhos foi convidada a senhora Francisca Pereira Gonçalves Mostardeiro, razão pela qual, esta linha demarcatória começou a chamar-se Linha Dona Francisca, denominação que os moradores estenderam em sua homenagem a toda a região da antiga fazenda São José. Dois anos depois iniciou o povoamento com a venda de lotes cujo projeto já reservava áreas para a praça pública, praça de esportes e Igreja.

Em 15 de agosto de 1883 é fundada a Colônia Dona Francisca. Até 1900, 85 famílias italianas e 10 alemãs haviam adquirido terras da então Colônia Dona Francisca, vindas de Silveira Martins e da Colônia Santo Ângelo. Os descendentes alemães, com raras exceções, se estabeleceram nas localidades de Formoso, Trombudo e Linha Ávila, terras pertencentes à Colônia Santo Ângelo. Os italianos em sua maioria oriundos do Vêneto e Treviso, vindos de Silveira Martins, se estabeleceram na Linha Grande, Linha do Moinho e Linha do Soturno, nas áreas pertencentes à Colônia Dona Francisca. Os primeiros lotes foram adquiridos por alemães, sendo o primeiro a Carlos Neuyorks em 1.883. Dentre as primeiras famílias italianas a adquirem lotesforam: David Monego, Domingos Rossin, Domingos Mezzomo, Domingos Reck, Felipe Segabinazzi, Francisco Segabinazzi, Jacob Juliani, Luiz Bastiani, Paulo Serafin, Santo Leonardi, FelicioBortolás, Lourenço Martini, Miguel Reck, Antonio Baú, Antonio Cassol, AntonioFantinel,todos durante o ano de 1.884.(De acordo com o Códice de Silveira Martins – 1882, no Arquivo Histórico do RS).

A região progrediu calcada em especial no trabalho árduo e profícuo trabalho dos imigrantes alemães e italianos e em 31 de março de 1938, pelo Decreto 7.199, a povoação de Dona Francisca foi elevada a categoria de Vila Dona Francisca.

O trabalho agrícola fez com que o desenvolvimento econômico crescente de Dona Francisca a elevasse à categoria de 5º Distrito de Cachoeira do Sul. Em 1885, de acordo com a Lei nº 1.433 de Janeiro de 1884, foi extinta a unidade e autonomia da Colônia Santo Ângelo, surgindo em seu lugar distritos e municípios. Até 1958, a Vila Dona Francisca era sede do 5º Distrito de Cachoeira do Sul. Em 12 de fevereiro de 1959, pela Lei Estadual nº 3711, passou a pertencer ao município de Faxinal do Soturno. A emancipação de Dona Francisca ocorreu em 17 de julho de 1965 pela Lei nº 4993 e sua instalação em 19 de fevereiro de 1967. Dona Francisca é um dos nove municípios da 4ª Colônia de Imigração Italiana do Rio Grande do Sul.

Apesar do povoamento do território ser definido pelas descendências germânicas e italianas de forma apartadas, pode-se afirmar com orgulho que ambas estruturaram os primeiros momentos da trajetória histórica com base nos valores culturais e religiosidade, sustentáculos de uma identidade em construção e, posteriormente, a partir da consolidação da emancipação há o desejo da busca por um modelo diferenciado de tratar as questões do seu próprio desenvolvimento, propondo novas alternativas econômicas sustentáveis.

- HISTÓRIA – FOTOS E FATOS – ATUALIZADO EM 03 DE JULHO DE 2020-

Galeria de Fotos
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1ª SEMANA DO MUNICÍPIO DE DONA FRANCISCA

“ 1ª SEMANA DO MUNICÍPIO DE DONA FRANCISCA”

Uma forma especial de dizer: Eu amo minha terra, seus filhos e amigos

 

           Em 1983 uma novidade anunciava que o mês de julho, ano em que o Município festejaria 18 anos de Emancipação Político Administrativo, não seria mais o mesmo para a comunidade franciscana, tampouco para quem amava Dona Francisca. Florescia a 1ª Semana de Dona Francisca, evento idealizado pelo Dr. Nereu Francisco Mezzomo, irmão do então Prefeito Mauri Moisés Tessele Mezzomo, que a criou. (Homenageados oficialmente por este legado, na 25ª Semana do Município/Ano 2007).

O convite além da programação anunciava o propósito do evento e o anunciava assim:

1ª Semana de Dona Chica

Perdoem-nos os mais conservadores se a chamamos Dona Chica. Mas foi assim que, carinhosamente, todos, franciscanos e forasteiros, aprenderam gostá-la. E justamente porque são muitos que a amam, é que se está promovendo esta 1ª Semana. Precisamos mostrar a todos o quanto Dona Chica tem para oferecer.

São muitos os filhos de Dona Francisca que residem em outros lugares. Todos jamais esqueceram sua terra e estão sempre procurando um motivo para aqui retornarem. Esta 1ª Semana de Dona Chica é um motivo irresistível para que todos voltem a fim de regar suas raízes.

Quantos usos e costumes estão se perdendo na evolução tão desordenada deste mundo? Quem não lembra com saudades do “três - sete” e da “bisca”? Da polenta com fortaia, do salame, do queijo, do radiche, do jogo da “mora”, e das cantorias nas festas e casamentos? Nesta 1ª Semana teremos tudo isto novamente. Com certeza a alegria de todos fará palpitar o coração desta jovem que completa 18 anos.

Mas o contentamento de Dona Francisca não seria completo se não visse, dente toda programação, algo que trouxesse desenvolvimento à cultura dos franciscanos. É em função disto, que foram programados espetáculos culturais, concertos, filmes, palestras, crônicas... e uma exposição de fotografias da Dona Francisca antiga e da Dona Francisca de agora, o que certamente a deixará muito vaidosa.

Ao completar 18 anos, esta terra se sente orgulhosa em convidá-lo para sua festa.

 

                 Participe!

                 De 9 à 17 de julho de 1983

 

É TEMPO DE (RE)VIVER

DONA FRANCISCA

 

 

 

              Naquele ano, embora não conste na programação, durante o Baile da 1ª Semana de Dona Chica, ocorrido na Sociedade Franciscana, foi eleita a 1ª Garota Dona Chica, Rosângela Kittel.  Nos bailes subsequentes,  além da Garota, a Corte passou a ser composta por mais duas princesas (1ª e 2ª). Na oportunidade cinco meninas foram escolhidas para recepcionar o baile. A vestimenta usada foi idealizada e confeccionada pela Miraci Rampelotto, a famosa “Mira”, que também auxiliou as meninas para bem conduzir a recepção com extrema postura e simpatia. Também, a franciscana in memoriam Ivani Barchet Tessele, foi quem evidenciou para as meninas as belezas, a cultura, a história do Município para que uma vez abordadas estivessem bem preparadas para falar de Dona Francisca.

             A Semana do Município é um momento realmente especial para todos os franciscanos. É  tempo de viver e reviver Dona Francisca. Sua gente, seus gostos e sabores, sua cultura, arte, fé...rever amigos, reencontrar a família . 

            Aproveito para parabenizar todos os Prefeitos, Primeiras Damas de Dona Francisca  pela dedicação, pelo amor e carinho que depositaram em cada uma das programações realizadas. Também agradecer a todos que de uma forma ou outra, com mais presença ou não, estando em evidência ou não, foram fundamentais e fizeram as “semanas” acontecer e cumprir a razão de sua existência.

            O ano de 2020 é marcado mundialmente pelo Covid 19. Infelizmente a pandemia nos afeta e nos impede de viver presencialmente a que seria “ 38ª Semana do Município”, momento que festejamos os 55 anos de emancipação político administrativo de Dona Francisca. Isto porém, não nos deixará longe uns dos outros, muito pelo contrário. É tempo também de nos reinventar. Convido a todos para continuarmos a reviver momentos que guardamos em nossos corações.

 

10/07/2020,

Por, Rosa Chritina Kittel, Secretária Municipal da Cultura e Turismo.

Dona Francisca/RS.

 

EMANCIPAÇÃO POLÍTICO ADMINISTRATIVO DE DONA FRANCISCA “UMA HISTÓRIA CHEIA DE HISTÓRIAS”

A idéia emancipacionista do 5º Distrito de Cachoeira do Sul teve origem em Faxinal do Soturno, com a inspiração de um sacerdote, vindo de Nova Palma. Foi nessa localidade que surgiu a Comissão Emancipacionista do 5º Distrito, movimento que finalmente se propagaria a Dona Francisca e posteriormente a São João do Polêsine.

Para efetivação do Projeto de Emancipação, a Assembleia Legislativa autorizou a realização de plebiscitos em distritos que desejavam se tornar independentes, em sessão realizada no dia 20 de agosto de 1958. Foram aprovados os projetos para a formação dos Municípios de Restinga Seca, Agudo e Faxinal do Soturno, desmembrando-se de Cachoeira do Sul.

Nesta época, a Vila de Dona Francisca era sede do 5º Distrito de Cachoeira do Sul. Sua área territorial era formada pelas localidades de Faxinal do Soturno, Sítio, Santos Anjos, São João do Polêsine, Ribeirão, Vale Vêneto, Geringonça, ou seja, Novo Treviso, Formoso, Trombudo e Linha Ávila. Estas três últimas, integrantes da Colônia Santo Ângelo, localizadas na margem direita do Rio Jacuí. As demais, exceto Dona Francisca que era colônia particular, pertenciam à ex-colônia de Silveira Martins, embora todas estivessem em área do município de Cachoeira do Sul. (Dona Francisca foi elevada a categoria de Vila em 31 de março de 1938, pelo Decreto n.º 7199. A partir desse Decreto, passou a contribuir com os cofres públicos, pois até então, os moradores da Colônia não pagavam impostos).

A data de 30 de novembro de 1958, é histórica para o Distrito de Dona Francisca. A população foi às urnas decidir pela emancipação ou não deste Distrito do Município de Cachoeira do Sul, quando teriam também que escolher a sede do futuro Município entre as três candidatas: Dona Francisca, Faxinal do Soturno e São João do Polêsine.

 O novo município a ser constituído, quer demográfica como geograficamente seria formado com 90% subtraído do município de Cachoeira do Sul, e uma pequena parte retirada do município de Julio de Castilhos, onde se localizava Novo Treviso.  Antecedendo o plebiscito, as comissões das três vilas trabalharam incansavelmente pela conquista de votos. Seus líderes não mediram esforços e se mobilizaram para dar publicidade em torno de suas localidades, reunindo tudo quanto representava qualidades nos diversos setores de atividades para apresentarem aos eleitores. Argumentavam junto aos seus eleitores da  zona mais urbana, bem como da rural e outras povoações do distrito a ser emancipado para que, com razões suficientes e merecidas na escolha da sede do novo município o povo fizesse o melhor.

O 5º Distrito possuía 2.947 eleitores, que foram distribuídos em 14 mesas, sendo que 03 delas em Dona Francisca (720 eleitores), 02 em Faxinal do Soturno (563 eleitores) e 02 em São João do Polêsine (440 eleitores). As demais mesas estavam distribuídas em: Novo Treviso, pertencente ao município de Julio de Castilhos, Santos Anjos, Sítio dos Melos, Ribeirão, Vale Vêneto(2), Trombudo e Formoso.

Faxinal do Soturno fez um levantamento total do distrito e em inesgotável documentação apontou como sendo a mais capacitada em razão de estar com localização privilegiada, ou seja, centralizaria a sede do futuro município numa visão geral com as demais localidades.

São João do Polêsine contestou, argumentando que sua posição geográfica era ainda melhor.

Já Dona Francisca trabalhou para neutralizar as vantagens argüidas por Faxinal do Soturno e São João do Polêsine, dizendo que reunia grande quantidade de atributos e os expunha aos eleitores inclusive através de panfletagem. Entre elas destacou: o Porto do Rio Jacuí (moderna obra em construção nessa época) e sua localização à margem do mesmo; apresentava uma fisionomia de pequena cidade concentrando um grande número de casas de alvenaria; indústrias e fábricas desenvolvidas (Fábrica de trilhadeiras, malhas, café, esquadrias, móveis e bebidas); Usina Hidrelétrica (Luz e força próprias, fornecidas pela Usina Hidro Elétrica Franciscana Palmense Ltda de propriedade de Corendino Reck e Carlos Segabinazzi, que atendia a Vila e suas Linhas, parte da Paróquia de Faxinal do Soturno e grande parte também do atual município de Agudo); Hospital Rainha dos Apóstolos; Central Telefônica; Lavoura mecanizada e de alta produção; Gabinetes Dentários; Oficina Rádio Técnica (que também mantinha serviço de alto-falantes normalisado, colocando o povo em contato com todas as novidades e servia para o alertamento de qualquer notícia); Educação e Instrução (Grupo Estadual denominado G. E. Pe. José Iop, àquela época recém construído; a Escola Isolada Estadual, situada na Linha Grande entre outras municipais em outras linhas; A Escola São Carlos, já com internato e externado misto, e atendendo pessoas de todo Estado; Agência de Correios; possuía ruas abertas, prédios municipais, água encanada; Engenhos e Moinhos; entre outras vantagens. Um aspecto que chamou atenção durante essa corrida emancipacionista foi o fato de todo o povo de Dona Francisca desejar a sua emancipação.

Enfim, o grande dia chegou. Era o tão esperado 30 de novembro de1958. Data histórica para o Distrito de Dona Francisca, então 5º Distrito de Cachoeira do Sul. A população foi às urnas para dizer sim ou não ao processo de emancipação, bem como, decidir onde seria a sede do futuro município, como já falado anteriormente, se Dona Francisca, Faxinal do Soturno ou São João do Polêsine. As apurações foram na sala do Júri do Fórum de Cachoeira do Sul e iniciaram no dia 1º de dezembro de 1958. Mais de três mil votos foram apurados, sendo todos unânimes em optar pela emancipação do Distrito. No entanto, as urnas indicaram o nome de Faxinal do Soturno como sede do novo município, apresentando o seguinte resultado:

Faxinal do Soturno – 1.202 votos

Dona Francisca – 1.073 votos

São João do Polêsine – 747 votos

Os resultados das urnas foram publicados no Jornal O Comércio, no exemplar n.º 3.084, ano LIX (cinqüenta e quatro) editado no dia 03 de dezembro de 1958, 1ª página, com o seguinte texto: “ Faxinal do Soturno – Escolhido para a Sede na emancipação de Dona Francisca, também em debate com São João do Polêsine. Os 3.012 eleitores distribuídos em 15 mesas eleitorais acusaram o seguinte resultado:

Para a Sede do Município.

 

SIM

NÃO

NULOS

D. FRA

FAX

POLÊSINE

Total

3.012

00

40

1.034

1.164

740

 

A seguir, o resultado da votação para indicação da sede, mesa por mesa:

MESA

LOCAL

D. FRAN

FAX. SOT

S.J.POLÊSINE

68

D. Francisca

266

05

01

69

D. Francisca

136

03

00

70

D. Francisca

244

05

01

71

Faxinal

13

293

10

72

Faxinal

11

219

03

73

Santos Anjos

16

172

78

74

Sítio dos Melos

108

81

44

75

Polêsine

05

06

242

76

Polêsine

04

03

263

77

Ribeirão

06

33

62

78

Vale Vêneto

22

99

58

79

Vale Vêneto

38

83

72

80

Trombudo

74

82

00

81

Formoso

35

32

02

17

Novo Treviso

59

116

04

 

Nas mesas 68 e 69, Dona Francisca teve ainda 25 e 11 votos em separados respectivamente, já integrados no total acima mencionados; nas mesas 75 e 76, São João do Polêsine teve 4 e 3 votos, também incluídos no total apresentado.

Um clima de inquietude se processou na Sociedade Faxinalense com inserções de parágrafos no ante Projeto da Lei Orgânica, facilitando a transferência temporária ou definitiva da sede Municipal.  A Bancada situacionista defendia a tese de constitucionalidade do art. 24, alínea XVII. Perturbações de ordem pública ocorreram no novo Município de Faxinal do Soturno, motivadas pela votação da lei que dá direito aquela Câmara Municipal de transferir a sede do Município. Este fato acarretou uma revolta popular contra a manobra de alguns vereadores faxinalenses, visando transferir a sede para a Vila de Dona Francisca, localidade rival da sede, a que fora derrotada em plebiscito popular realizado. O Legislativo de Faxinal do Soturno realizou três sessões, em 17 de setembro de 1959, aprovada na última, o Projeto de lei que facultava a transferência da sede Municipal para o atual Distrito de Dona Francisca. A votação obteve 2/3 necessários, pois, acusou o resultado de 5 contra 2. O Projeto foi enviado para sanção do Prefeito Municipal. Por ordem do Presidente da Câmara Municipal, foram retirados os móveis do prédio da mesma e transferidos para a Vila Dona Francisca. Na porta da Municipalidade havia apenas um aviso: “ Aviso aos interessados que a Prefeitura Municipal foi transferida para Dona  Francisca, por prazo indeterminado”. Este aviso foi datado no dia 29 de setembro de 1959. O Legislativo Rio-Grandense, deliberou em sua sessão do dia 26 de novembro de 1959, rejeitando por 6 x 0 a proposta de transferência da sede para Dona Francisca, com a expurga do inciso XVII, do Art. 24 da lei Orgânica do Município de Faxinal do Soturno. Assim sendo, a Prefeitura daquele novo município voltou para Faxinal do Soturno.

Dona Francisca pretende emancipar-se de Faxinal do Soturno

No mês de janeiro de 1963, foi apresentada na Assembleia Legislativa  pelo Sr. Adamiro Moura, emenda a reforma da Constituição. No Jornal do Povo, n.º 93, ano 34, editado no dia 27 de janeiro de 1963, 3ª página encontramos: “ Art. ... – É autorizada a consulta plebiscitária, para efeito de emancipação, do atual Distrito de Dona Francisca, pertencente ao Município de Faxinal do Soturno, dispensados os requisitos previstos nesta constituição e na nova lei Orgânica”.

Em sua justificativa disse: “ A presente emenda visa a solucionar não apenas um problema de ordem político administrativo, mas especialmente um problema de natureza social. Não direi a causa da profunda incompatibilidade surgida entre as populações do Distrito de Dona Francisca e a Sede do Município de Faxinal do Soturno. Isto é um fato público e notório que se fez presente em árduas disputas pela sede municipal de comuna recém criada, em 1959; fato que foi registrado em termos ásperos pela imprensa regional e que, desde então, nos prédios políticos locais, na Câmara de Vereadores e nos tribunais cada vez mais caracterizam uma irredutível incompatibilidade que, no decorrer dos tempos, tem evoluído para um autêntico problema social”.

Muitos foram os esforços empreendidos pela comunidade de Dona Francisca para a efetiva emancipação. Três comissões emancipacionistas foram credenciadas na Assembleia Legislativa do Estado, sendo a última, de 08 de agosto de 1964, formada por: Pe. Valentim Zamberlan, Nelson Tessele, Leoni Ari Martini, Benoni Casassola, Hamilton Adão Soccal e Hermenegildo Cassol a que obteve êxito através do Projeto de Lei nº 102 de 30/06/1965, onde a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Estado do RS, cria o município de Dona Francisca em 17 de julho de 1965. O então governador do Estado Ildo Meneghetti, sanciona a Lei 4993/1965, determinando a criação do município de Dona Francisca que se emancipa de Faxinal do Soturno.

 No período de 19 de fevereiro de 1967 a 31 de janeiro de 1969, o município esteve sob o comando de Obaldino Benjamim Tessele como Interventor. O primeiro Prefeito foi o alemão Luiz Pachaly (1969 – 1973), seguido pelos italianos Obaldino Benjamim Tessele (1973 – 1977), Valídio José Cassol (1977 – 1883), Mauri Moisés Tessele Mezzomo (1983 – 1988 e 1993 – 1996), Nereu Antônio Cassol (1989 – 1992), Saul Antonio Dal Forno Reck (1997 – 2000, 2009 – 2012 e 2013 – 2016), Carlos Albino Segabinazzi (2001 – 2004 e 2017 até 01/11/2018), Carlos Alberto Menezes Vargas (2005 – 2008, descendente de portugueses) e Edaleo Dalla Nora (Italiano, Vice Prefeito do mandato 2017 - 2020, que assumiu o Poder Executivo como prefeito por falecimento de Carlos Albino Segabinazzi Martini, em 01/11/2018).

Dedicatória:

Dedico essa pesquisa aos homens e mulheres que foram personalidades de altíssima relevância para a concretização do processo emancipatório, bem como, contribuíram significativamente para o bem e desenvolvimento de Dona Francisca. Ainda, a todos que registraram mesmo que esparsamente os fatos e aos que ao longo do tempo tiveram a grandeza e a responsabilidade de preservá-los. Rosa Christina Kittel – 06/07/2020.

 

-IMPRENSA OFICIAL EM 14/07/2020-

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